[nonimo]
PT
Descarregar a app

Fuga de dados com IA: por onde saem nas suas aplicações

· Escrito e mantido por Nonimo

Nas aplicações próprias, a fuga de dados com IA raramente é um ataque. É a aplicação a fazer o que lhe pediram: junta o nome, o NIF e o processo do cliente num pedido, manda-o à API do modelo e guarda uma cópia nos registos. Cada passo deixa os dados num sítio novo, e a soma desses sítios é a fuga.

O Nonimo Gateway instala-se nos seus próprios servidores. Ver os planos e falar connosco.

Trava-se com quatro gestos, por esta ordem: mandar menos, trocar o que identifica por marcadores antes da chamada, guardar a chave dessa troca em casa e repor os dados reais só quando a resposta volta. Antes disso, convém saber por onde saem.

Por onde se dá a fuga de dados com IA

Pense numa aplicação simples de um escritório de advogados: lê o correio que chega, classifica-o por processo e propõe uma resposta. Num só pedido, os dados de um cliente podem acabar em cinco sítios.

canalo que levaonde fica
o prompto texto do correio, com nomes, contactos e factos do processono fornecedor do modelo
os registoso pedido e a resposta completos, para depuraçãonos seus servidores, no gateway, na ferramenta de observabilidade
o RAGexcertos de outros documentos do processo, juntos ao pedidono índice de pesquisa e, depois, no prompt
as chamadas a ferramentasargumentos como o nome do cliente ou a data de uma diligênciano pedido, na resposta e nos registos da ferramenta
a conservação no fornecedoro que o fornecedor guarda para vigiar abusos ou manter estadonos servidores do fornecedor, durante o prazo dele

Fonte: canais habituais numa aplicação que chama uma API de modelos de linguagem.

O prompt

É o canal óbvio e o que mais pesa. Tudo o que vai no texto do pedido sai da sua rede. Quem programou a aplicação raramente pensou no conteúdo: o código junta o correio inteiro porque é mais fácil do que escolher as frases úteis. O artigo 5.º, n.º 1, alínea c), do RGPD pede o contrário: dados «adequados, pertinentes e limitados ao que é necessário».

Os registos

É o canal que ninguém decide. A aplicação regista o pedido para depurar erros; o gateway regista-o para contabilizar custos; a ferramenta de observabilidade guarda-o para mostrar latências. Três cópias, três prazos, três listas de pessoas com acesso. A CNPD inclui na Diretriz/2023/1 «ativar e conservar os registos de auditoria (log)», mas não pede que esses registos guardem o texto do processo: para saber quem fez o quê e quando, o conteúdo não faz falta.

Alguns produtos já separam as duas coisas. O LiteLLM tem um modo de guardrail que mascara só antes de registar (documentação do LiteLLM), e o plugin AI Sanitizer do Kong tem, desde a versão 3.13, uma opção para manter fora dos registos os itens sanitizados (histórico do plugin). Na AWS, a documentação do Bedrock Guardrails avisa que o campo input dos registos no CloudWatch guarda sempre o pedido original (documentação da AWS).

O RAG

Quando a aplicação responde com base nos seus documentos, vai buscar excertos a um índice e cola-os no pedido. Não sai apenas o cliente que escreveu o correio: saem também as partes contrárias, as testemunhas e os valores que estavam nos excertos escolhidos. E o próprio índice é uma cópia pesquisável dos documentos, com as mesmas obrigações que o arquivo original.

As chamadas a ferramentas

Se o modelo pode marcar uma reunião ou consultar a agenda, os argumentos dessas chamadas levam nomes e datas, e o resultado da ferramenta volta ao modelo no pedido seguinte. É um canal que muitos filtros não veem: a AWS, por exemplo, diz que o filtro de informação sensível do Bedrock Guardrails não avalia argumentos nem resultados de chamadas a ferramentas (mesma página).

A conservação no fornecedor

O fornecedor do modelo também guarda. Segundo a documentação da OpenAI, os dados enviados pela API não são usados para treino por omissão, mas os registos de monitorização de abuso podem incluir pedidos e respostas e ficam até 30 dias, salvo obrigação legal. As respostas guardadas da Responses API ficam pelo menos 30 dias por omissão (OpenAI, os seus dados).

até 30 dias
o prazo dos registos de monitorização de abuso da API da OpenAI, que podem incluir pedidos e respostas. OpenAI, a 20 de outubro de 2026

O que isto significa para um escritório que trabalha com os modelos da OpenAI está explicado no guia sobre o que o ChatGPT faz com os seus dados.

Um pedido real, cinco cópias

Um exemplo inventado. A aplicação do escritório recebe este correio às 9h12:

Bom dia, Dra. Teresa. Sou o Rui Albergaria Nogueira, NIF 000 000 001. A minha ex-mulher, Sofia Castelões, voltou a não pagar a pensão de alimentos de setembro. O meu contacto é o 900 000 000. Podemos falar esta semana?

Sem nenhuma proteção, o texto inteiro vai no prompt. O RAG junta dois parágrafos da sentença de regulação das responsabilidades parentais, com os nomes das crianças. O modelo chama a ferramenta de agenda com o nome do cliente. A aplicação regista o pedido; o gateway também. A OpenAI guarda-o nos registos de abuso até 30 dias. Ao fim do dia, dados de um processo de família, incluindo os de dois menores, estão em cinco sítios, e só um deles é o arquivo do escritório.

Com os dados trocados antes da chamada, o modelo recebe «[NOME_1]», «[NOME_2]», «[TELEFONE_1]» e um marcador para o número fiscal. Classifica o correio e propõe a resposta da mesma forma, porque não precisa de saber quem é o Rui para perceber que o assunto é uma pensão em atraso. Os registos a jusante guardam marcadores. A correspondência fica no servidor do escritório.

Como travar a fuga de dados com IA

Os quatro gestos, aplicados à aplicação acima:

  1. Minimize o que a aplicação envia. Mande o corpo do correio, não a assinatura nem o histórico. Limite o RAG aos excertos necessários. É o que pede o artigo 5.º do RGPD e o que mais reduz o risco, e não custa nada.
  2. Pseudonimize antes da chamada. Troque nomes, contactos e números por marcadores no pedido, nos excertos do RAG e nos argumentos das ferramentas. O artigo 32.º do RGPD nomeia a pseudonimização como medida de segurança; o que ela muda e o que não muda está no guia sobre pseudonimização no RGPD.
  3. Guarde a chave em casa. A correspondência entre marcadores e dados reais nunca deve sair dos seus servidores, nem ir para os registos.
  4. Reponha só na resposta. Quando a resposta volta, troque os marcadores pelos valores reais antes de a entregar ao utilizador, também quando a resposta chega em streaming.

Se algo escapar na mesma, a pergunta seguinte é se tem de avisar a CNPD. O artigo 33.º manda notificar sem demora injustificada e, sempre que possível, até 72 horas; o guia sobre violação de dados numa IA ajuda a decidir. E a regra escrita sobre o que pode entrar em cada ferramenta cabe numa política de utilização de IA.

Para comparar ferramentas que fazem os passos 2 a 4, há uma visão geral (em inglês) de software de redação de dados pessoais e páginas sobre o Kong AI Gateway e os guardrails do LiteLLM.

Nonimo Gateway: os passos 2 a 4 num só sítio

O Nonimo Gateway é um proxy de privacidade que faz a troca antes de o pedido chegar à API do modelo e repõe os dados reais na resposta. Instala-se nos seus próprios servidores, e a correspondência fica lá. É compatível com a API da OpenAI: muda o base_url e usa a sua própria chave.

Reconhece os documentos e números nacionais de cada país que serve e tem um plugin para o LiteLLM. Os planos e preços estão na página do Nonimo Gateway. Onde fica em relação a um gateway está no guia o que é um AI gateway; se está a pensar alojar o modelo, leia primeiro LLM local ou proxy de privacidade.

Comece pelos registos

Abra os registos da sua aplicação de IA e procure o nome de um cliente. Se o encontrar, os dados já estão numa cópia que ninguém decidiu guardar, e é quase certo que o mesmo texto seguiu para o fornecedor. Corte primeiro o que não é preciso e pseudonimize o resto antes da chamada. Veja os planos do Nonimo Gateway e fale connosco.

Fontes

Verificadas a 20 de outubro de 2026.

O Nonimo é o software que faz isto no seu próprio computador: oculta nomes de clientes e números de identificação antes de o texto chegar ao ChatGPT. Sem conta, e com a app os dados dos seus clientes não saem do seu computador.

Perguntas frequentes

O que é uma fuga de dados com IA?

É a saída de dados pessoais ou confidenciais para onde não deviam ir através de uma ferramenta ou aplicação de IA. Nas aplicações próprias acontece sobretudo pelo texto enviado à API, pelos registos que guardam esse texto e pelos documentos que o RAG junta ao pedido, muitas vezes sem que ninguém o tenha decidido.

A OpenAI guarda o que envio pela API?

Pode guardar durante algum tempo. Segundo a documentação da OpenAI, os registos de monitorização de abuso podem incluir pedidos e respostas e ficam até 30 dias, salvo obrigação legal de os conservar mais tempo. As respostas guardadas da Responses API ficam pelo menos 30 dias por omissão.

Os dados enviados pela API da OpenAI são usados para treinar modelos?

Não por omissão. A OpenAI diz que os dados enviados pela API não são usados para treinar os seus modelos, salvo se a organização aderir expressamente. Isso não impede que fiquem guardados durante os prazos de conservação que a própria OpenAI indica.

Uma fuga de dados com IA tem de ser comunicada à CNPD?

Tem, se for uma violação de dados pessoais que implique risco para as pessoas. O artigo 33.º do RGPD manda notificar a autoridade de controlo sem demora injustificada e, sempre que possível, até 72 horas depois de ter conhecimento. A avaliação depende do caso: que dados saíram, para onde e quem os pode ver.

Como se evita a fuga de dados nas chamadas a uma API de IA?

Tirando os dados pessoais do pedido antes de ele sair e guardando a correspondência em casa. Na prática: minimizar o que a aplicação envia, pseudonimizar o resto, manter a chave da correspondência nos seus servidores e repor os valores reais só quando a resposta volta.

Mascarar os registos chega para evitar fugas?

Não chega sozinho. Os registos são um dos sítios por onde os dados escapam, mas o texto já saiu para o fornecedor no momento da chamada. Mascarar os registos protege as cópias internas; pseudonimizar antes da chamada protege o que vai para fora.

Ferramentas

Escolha o ficheiro ou o documento e retire os dados pessoais antes de o enviar. Sem registo e num minuto.

Todas as ferramentas →